Método de exibição do filme na tela — DCP digital ou 35mm via projetores, com padrões definidos de espaço de cor e luminosidade. O DOP calibra o grade para esse meio.
Assim que você entregar a edição, seu material será projetado em uma tela — e é exatamente aí que se vê se suas decisões de color grading resistem no monitor ou se todo o trabalho parece diferente na escuridão do cinema. A projeção de cinema não é apenas um processo técnico, mas o momento em que sua imagem se torna a realidade do espectador. Por isso, todo diretor de fotografia precisa entender como os projetores funcionam e quais padrões eles estabelecem.
O fluxo de trabalho padrão hoje: DCP (Digital Cinema Package) — um contêiner de dados criptografado, calculado retroativamente a partir da tela. O projetor o lê e lança a luz através de uma grade de cores ou um sistema de três chips na tela. O brilho é geralmente de 14 Foot Lamberts (cerca de 48 Candela/m²) no ponto branco — esse é o seu valor de referência. Importante: este não é o seu monitor. Seu monitor de color grading mostra cerca de 100 Nits. O projetor de cinema emite de quatro a cinco vezes mais. Isso significa que, se você fizer o grading muito claro, o filme "queimará" no cinema. Se você fizer o grading muito escuro, você perderá os detalhes nas sombras.
O espaço de cores em salas de cinema se orienta pelo padrão DCI-P3 — um gamut de cores mais amplo que o Rec.709 (broadcast). Tons de verde e vermelho podem ser mais intensos, e as partes azuis se comportam de maneira diferente do que em um monitor de TV. Alguns diretores de fotografia cometem o erro de construir sua LUT apenas de acordo com o padrão de home theater — então o filme parecerá supersaturado ou com cores deslocadas no cinema. Você precisa de uma LUT master DCP, que seja calibrada especificamente para este espaço de cores.
Na prática no set: se você quiser saber como seu material ficará depois, precisará de um projetor calibrado ou, pelo menos, de um monitor capaz de exibir DCI-P3. Muitas produções na Alemanha não têm acesso a um projetor de cinema real durante a pós-produção — então a sala de color grading deve se tornar o padrão de referência. Isso significa: ponto branco em 6500K, luminância ajustada à especificação DCP, luz ambiente mantida absolutamente escura.
Um último ponto: nem todos os cinemas projetam da mesma forma. Alguns trabalham com projetores 2K mais antigos, outros com 4K-DCI. Alguns têm problemas de ganho de tela ou simplesmente estão mal calibrados. Isso não está em seu controle — mas seu DCP precisa ser robusto o suficiente para que ele ainda pareça bom em um cinema mediano. Isso é ofício.