Subgênero brasileiro dos anos 70–80 — comédia com nudez e erotismo popularesco, frequentemente com números musicais. Cinema de massa que virou cult.
Brasil nos anos setenta: o cinema precisava de público, os estúdios precisavam de retornos rápidos. O que surgiu foi uma forma híbrida — a Chanchada (a tradicional comédia musical brasileira) impregnada de nudez, humor sexual grosseiro e um cinismo que não escondia sua intenção comercial. A Pornochanchada não era pornografia no sentido estrito. Era cinema de entretenimento para as ruas, para os bairros operários, para aquele público que ia ao cinema para se divertir barato — e sim, para ver mulheres nuas. Essa era a conta honesta.
Dramaturgicamente, funcionava segundo um esquema de ferro: construção de trama fina (confusões, identidades falsas, dramas familiares), números musicais que interrompiam a história regularmente e cenas de nudez estrategicamente colocadas de atrizes que muitas vezes eram contratadas para esses papéis como figurantes. A câmera era funcional — nenhum cálculo estético, mas eficiência. Filmava-se rápido, com mini-orçamentos, duas a três semanas de filmagem. A iluminação era plana, a frequência de corte agitada, a mixagem de som caótica. E foi exatamente isso que ancorou esses filmes em seu tempo e lugar: televisão popular brasileira no limite do cinema.
O meio era exploração e autenticidade ao mesmo tempo — exploração das atrizes por um sistema de estúdio patriarcal, mas também (e essa é a questão crucial) autenticidade cultural de um determinado momento de classe histórica. A Pornochanchada não era um filme de arte. Também não era uma crítica social profunda. Era prática de gênero crua, incondicionada, esteticamente primitiva, moralmente ambivalente, comercialmente precisa. É aí que reside seu valor cultural hoje — não apesar, mas por causa de sua brutalidade.
Quem se debruça sobre o cinema popular brasileiro dessa década não pula a Pornochanchada — é preciso vê-la para entender a lacuna entre o cinema de autor (veja Cinema Novo) e o público real do cinema. Ela mostra como as convenções de gênero (aqui: Chanchada, veja também comédia musical) são transformadas sob pressões comerciais e condições históricas da época. Hoje, o cinema fareja para trás nela — arqueologia do mau gosto, que em retrospectivas de repente volta a parecer interessante.