Cinema ambulante e barato do início do século XX — barracas de feira ou lojas adaptadas. Público popular com ingresso mínimo — origem comercial do cinema moderno.
O movimento Kintopp do início do século XX descreve menos um fenômeno técnico do que uma realidade econômica e social: imagens em movimento tornaram-se um meio de massa porque de repente eram baratas de assistir. Nos EUA, falava-se em Nickelodeon — cinco centavos de entrada, daí o nome — na Alemanha, em Kintopp, derivado do inglês kinetoscope. Os locais em si eram intercambiáveis: lojas convertidas, barracas de madeira improvisadas em feiras, mais tarde salas fixas em bairros operários e em estações de trem.
O que se torna relevante para os primeiros cinegrafistas e montadores: essas salas não tinham padronização. O tamanho da tela variava muito, a distância de projeção era frequentemente absurdamente curta, janelas eram escurecidas com panos, o ar era péssimo. Isso afetou diretamente a produção cinematográfica. Não se filmava para um espectador ideal — filmava-se para condições de visualização que mudavam diariamente. Movimentos grandes e claros. Imagens brilhantes e de alto contraste. Proximidade da câmera em vez de profundidade de campo. As edições tinham que ser mais longas, porque nem todo espectador conseguia ver cada quadro — a qualidade da imagem devido ao armazenamento e centenas de cópias era devastadora.
A logística do programa era radicalmente diferente de hoje: um operador de Kintopp comprava ou alugava os filmes — muitas vezes cópias usadas — e trocava o programa diariamente ou duas vezes por dia. Cinco a dez minutos de material por sessão. Isso exigia números curtos e autossuficientes: pastelão, truques, narrativas curtas. Aqui surgiu a lógica do rolo de celuloide como unidade econômica, não apenas técnica.
O Kintopp não desaparece de repente — ele cresce para dentro do cinema dos anos vinte. As salas melhores ficaram maiores, os projetores mais estáveis, o som chegou. Mas a lógica da economia do cinema, a acessibilidade em massa através de preços baixos de entrada e troca diária de programas, permanece. Quem hoje edita ou restaura as primeiras filmagens de Chaplin ou os filmes de truques de Méliès, ainda trabalha com as realidades físicas e psicológicas do Kintopp — que não eram um bug, mas um recurso.