Movimento católico norte-americano (1934–anos 1980) que classificava e boicotava filmes de Hollywood, exercendo poder de censura de fato sem autoridade oficial. Influenciou o Código Hays e os cortes da época.
A organização da Igreja Católica, a Legion of Decency, funcionou a partir de 1934 como uma autoridade de censura paralela — sem poder oficial, mas com força considerável. Os estúdios temiam suas listas de boicote mais do que muitas proibições estatais. Um filme condenado pela Legião perdia entre 20 e 40 por cento de sua audiência em regiões católicas (especialmente no leste e centro-oeste dos EUA). Isso era negócio, não teologia.
Na prática, funcionava assim: a Legião atribuía notas — de A-1 (liberado para todos) a C (proibido para católicos). Entre elas, havia a desagradável categoria B, que, embora não totalmente bloqueada, era marcada como moralmente questionável. Um roteirista tinha que pensar constantemente ao escrever que certas cenas — adultério sem arrependimento, blasfêmia, excesso de nudez — levariam à classificação C. Isso forçava soluções de edição estranhas: cenas de amor que terminavam abruptamente, diálogos expandidos com um apelo moralista final. O próprio Código Hays não foi inventado pelos católicos, mas a Legião o aplicou efetivamente. Era seu braço de execução.
No set ou na edição, você percebia isso pela autocensura — muito antes do avaliador da Legião ver o filme. Diretores como Elia Kazan ou Billy Wilder já escreviam suas cenas com essa examinadora invisível em mente. Às vezes, os estúdios tentavam truques: filmavam duas versões, uma para o teste da Legião, outra para mercados europeus. Era trabalhoso e caro, mas mais atraente do que uma classificação C. A Legião também aceitava apelações — um estúdio podia protestar contra uma avaliação, e de fato houve revisões com novo material de edição.
A organização perdeu força a partir dos anos 1960 — não porque a Igreja se enfraqueceu, mas porque o sistema de classificação (a partir de 1968) tornou a censura mais transparente e fragmentada. A Legião continuou existindo até os anos 1980, mas seus anos dourados, quando co-regulou efetivamente Hollywood, haviam passado. Hoje, para historiadores de cinema, é uma lição sobre como a autoridade moral externa pode ser mais eficaz do que leis através do medo do mercado.