Câmera de cor francesa dos anos 1930 com três negativos separados para canais RGB — volumosa, mas com qualidade óptica superior. Principal rival europeia do Technicolor.
A Lebay-Kamera francesa operava segundo um princípio elegante, porém volumoso: três tiras de filme separadas corriam sincronizadas pelo corpo da câmera, cada uma sensibilizada para um dos três canais de cor — vermelho, verde, azul. Um sistema de espelhos interno dividia a luz incidente, de modo que cada emulsão registrasse exatamente a mesma cena de um ângulo idêntico. O resultado era uma mistura de cores aditiva de altíssima pureza óptica — sem as transferências químicas e os deslocamentos de cor que outros processos acarretavam.
No final da década de 1930, a Lebay estava presente em estúdios franceses e europeus, mas competia de fato com o processo americano Technicolor, que, apesar de sua própria complexidade, se disseminou mais rapidamente. A desvantagem da Lebay era evidente: a mecânica era trabalhosa, a sincronização das três tiras exigia precisão, e a cabeça da câmera parecia desajeitada ao lado das câmeras de estúdio clássicas. Para filmagens estacionárias em estúdio, o sistema funcionava de forma confiável; para cenas móveis ou em locação, era um pesadelo — gerenciar três rolos de filme, revelar três formatos separados, manter três negativos em harmonia.
Quanto à qualidade de imagem, os diretores de fotografia que trabalharam com ambos os sistemas juravam pela Lebay quando se tratava de saturação e detalhe nas tonalidades médias. A separação direta RGB evitava os padrões de interferência que podiam surgir em processos de mistura de cores ópticas. No entanto, o esforço só se justificava para produções de prestígio — nem todo estúdio podia arcar com a infraestrutura técnica. Com o advento do filme Eastmancolor na década de 1950 — um filme colorido simples e de uma única tira — a Lebay desapareceu rapidamente do cotidiano de produção. Hoje, gravações nesse formato existem mais como curiosidades históricas; sua restauração exige conhecimento especializado, pois os três negativos originais precisam ser digitalizados separadamente e remontados.
Na prática da época, a Lebay era, portanto, uma prova de ambição de engenharia — mas não de força de penetração econômica. Ela personifica um caminho tecnológico que parecia tão lógico quanto a abordagem concorrente americana, mas que, no fim, se mostrou complexo demais para a indústria. Para arquivistas e restauradores, ela permanece um desafio; para historiadores da tecnologia cinematográfica, um exemplo esclarecedor de como dois países trabalharam paralelamente em soluções completamente diferentes para o mesmo problema.