Proporção 1:1,5 — entre o formato completo e o retrato. Raro no cinema, usado em trabalhos experimentais ou comerciais.
O formato meio (Half Frame) opera com uma proporção de 1:1,5 — uma proporção incomum que não corresponde nem ao formato de cinema clássico nem ao padrão moderno de 16:9. Na prática, você fica entre o formato completo e um retrato acentuado, o que dificulta consideravelmente a composição da imagem. No set, você quase nunca encontra esse formato em longas-metragens narrativos; ele permanece uma raridade para trabalhos conceituais, estéticas experimentais ou projetos publicitários específicos, onde a estranheza da própria imagem é uma declaração.
O desafio técnico reside na concepção do motivo. Com 1:1,5, você perde largura lateral, mas não tem a rigidez consciente de um quadrado verdadeiro (1:1). Isso leva a uma tensão visual que os diretores de fotografia ou utilizam intencionalmente — por exemplo, para comprimir arquitetura ou forçar a condução de profundidade — ou que os frustra, pois os cálculos padrão de lentes não se encaixam mais. Na busca pelo motivo, você percebe rapidamente: a borda da imagem se torna um compromisso constante. Elementos verticais dominam automaticamente, a composição horizontal parece esmagada.
Na edição, os problemas se revelam ainda mais claramente. Se o restante da série for editado em 16:9, o formato meio faz você parecer isolado. A correção de cor e o contraste precisam compensar o que a própria proporção traz de instabilidade à imagem. Alguns editores usam pillarboxing ou trabalham com máscaras artificiais para compensar as bordas da imagem — o que, por sua vez, custa a aparência cinematográfica.
A fotografia experimental e os filmes de arte têm se servido conscientemente do formato meio porque ele provoca exatamente essa estranheza. Na publicidade, ele é usado para mostrar produtos em uma perspectiva inesperada — por exemplo, para enfatizar a verticalidade ou parecer deliberadamente desconfortável. Como diretor de fotografia, eu escolheria o formato apenas se a composição da imagem fosse parte da ideia narrativa, não por necessidade técnica. A maioria dos projetos se sai melhor com formatos estabelecidos — e economiza as frustrações permanentes no set.