Prêmio anti-Oscar criado em 1981, homenageia ironicamente os piores filmes e performances do ano. Entregue na véspera do Oscar — instituição cult do trash cinematográfico.
Desde 1981, um júri americano concede o Framboesa de Ouro — propositalmente para aquilo que dá errado na tela. Isso não é um erro do processo de premiação, mas sim do sistema. O prêmio existe como um movimento satírico em oposição aos grandes prêmios, e é exatamente essa intenção que o torna relevante para a indústria cinematográfica. Onde os Oscars brilham no dia seguinte, as Framboesas estão antes — um ritual que já se estabeleceu há muito tempo e que muitos estúdios agora aceitam com autodepreciação.
A lista de categorias é ampla: Pior Filme, Direção, Roteiro, Atuação, mas também categorias técnicas como Edição ou Design de Som. O que inicialmente parece mera zombaria, na prática funciona de forma mais sutil. Um filme ou uma performance precisa ser proeminente o suficiente — flops monumentais recebem a honraria, escalações equivocadas, grandes produções executadas de forma desajeitada. Ninguém é indicado por um B-movie desconhecido, mas apenas por projetos que tiveram orçamento e visibilidade reais e, ainda assim, falharam flagrantemente. Essa é a piada: a Framboesa atinge aqueles que poderiam ter feito melhor.
Para os cineastas, este prêmio há muito tempo tem um valor prático — como um exemplo de advertência. Quem observar as categorias e os filmes indicados dos últimos anos reconhecerá sistematicamente quais erros ocorreram em grandes produções: escalação errada, roteiro ambicioso demais sem foco, ou incompetência técnica apesar do alto orçamento. Alguns diretores e atores até receberam a Framboesa e mais tarde se tornaram artistas reconhecidos — o prêmio, por isso, parece atenuado, quase como um ritual de purificação.
O que diferencia a Framboesa do Oscar: ela não ofende de verdade. Ela documenta. E como ocorre propositalmente no dia anterior à cerimônia do Oscar, funciona como uma lembrança ritualizada de que o sucesso no cinema não é garantido — independentemente do orçamento, do elenco ou da intenção. Isso a torna útil para todos que trabalham no set: como um lembrete para se concentrar no ofício.