Material fotográfico à base de celuloide ou — atualmente — a obra audiovisual finalizada. No set, geralmente se refere ao estoque físico de película ou seu equivalente digital.
Quando você ouve a palavra "filme" no set, precisa deduzir pelo contexto do que se trata — isso torna o termo traiçoeiro. O Gaffer te pergunta: "Qual filme você precisa?" e se refere ao material na câmera. O produtor diz "Estamos filmando um filme" e se refere à obra finalizada. Historicamente, "filme" era a própria fita de celuloide, Kodak Vision3 50D ou 200T — a coisa que você colocava nos carregadores. Hoje, com sensores digitais e gravação RAW, o material físico desapareceu, mas a metáfora permanece. Você ainda pensa em "filmes" — como se celuloide real ainda estivesse rodando.
No set, você precisa entender: Filme como material tem propriedades concretas. Granulação, reprodução de cores, latitude de exposição — isso molda sua configuração de iluminação. O stock Kodak reage de forma diferente do Fujifilm. Isso era tangível fisicamente antigamente, hoje você simula isso através de LUTs e características do sensor. A sensibilidade do filme (ISO/ASA) determina sua abertura e velocidade do obturador. Um 50D te forçava a usar mais luz do que um 200T, isso não era abstrato. Com câmeras digitais, às vezes se esquece disso — se pensa que pode aumentar indefinidamente. Errado. A arquitetura do sensor impõe limites, assim como a granulação do celuloide.
Filme como obra de arte — essa é a outra dimensão. O "filme" é o objeto finalizado, edição, som, color grading, DCP. Seu trabalho como DoP culmina nisso. Antigamente era uma cadeia linear: filmar → revelação → edição → cinema. Hoje é mais complexo — você filma digitalmente, faz color grading em HDR, entrega para cinema e streaming paralelamente. Mesmo assim, o produto final é chamado de "filme", mesmo que nenhum celuloide tenha existido.
A distinção prática: No relatório de filmagem e na comunicação com o produtor, "filme" é o material — "Precisamos de mais 200 metros de 200T". No pitch e com o público, "filme" é a obra completa. Como DoP/cinegrafista, você precisa ser capaz de separar mentalmente ambos os significados. Seu trabalho é expor e encenar o material — seja químico ou digital — de forma que, no final, resulte um filme que se sustente.