Produção cinematográfica do Cazaquistão, Uzbequistão, Tadjiquistão, Quirguistão e Turcomenistão — marcada pelo legado soviético, paisagens e nova independência. Kanuci e Sokurov são representantes.
Após o colapso da União Soviética, Cazaquistão, Uzbequistão, Tajiquistão, Quirguistão e Turcomenistão desenvolveram culturas cinematográficas independentes que, até hoje, oscilam entre o legado soviético e a nova identidade nacional. O cinema da Ásia Central não é um movimento homogêneo — cada país desenvolveu sua própria gramática, moldada pela paisagem, história e pela questão de quem ainda podia financiar filmes após a independência.
Caracteriza-se uma poética visual que segue menos as convenções narrativas europeias e mais a compreensão do espaço, do tempo e da solidão humana como material. O Cazaquistão — com filmes como "Os Filhos de Kanuri" ou a obra de Aleksei Fedchenko — utiliza a estepe não como cenário, mas como dimensão psicológica. O Uzbequistão produz significativamente menos, mas quando o faz, predominam histórias de migração e desorientação urbana. O financiamento cinematográfico permanece precário; muitas produções surgem com coproduções internacionais, frequentemente com parceiros franceses ou alemães — uma característica estrutural que influencia o estilo.
Este cinema é praticamente relevante menos para a produção em massa e mais para lições estéticas específicas: diálogos mínimos, planos longos sem música sentimental, montagem como elipse em vez de abundância. Quem trabalha com produções ou equipes da Ásia Central deve entender que os padrões de formação soviéticos (câmera, som, luz) são muito precisos — ao mesmo tempo, o espírito de improvisação e o baixo orçamento são a norma absoluta. Os orçamentos frequentemente não permitem o que o cinema europeu pressupõe; em contrapartida, a partir dessa limitação, surgem estratégias visuais genuínas.
Festivais internacionais de cinema têm dado mais atenção a este cinema desde aproximadamente 2010 — Locarno, Veneza, Berlim exibem regularmente filmes cazaques ou quirguizes. Isso confere visibilidade global aos criadores, mas também os vincula às expectativas do cinema de arte. Quem atua como diretor de fotografia ou diretor nesta região precisa lidar com essa tensão: entre os hábitos de visualização locais, o cânone cinematográfico soviético e os padrões de festivais internacionais. O cinema da Ásia Central não existe primariamente para seu público local — ele existe no circuito global do art house, o que, por sua vez, molda a própria produção.