Listras de cor visíveis em vez de gradientes suaves — causadas por baixa profundidade de bits ou compressão agressiva. Material 8-bit apresenta esse problema em céus e tons de pele.
A posterização ocorre quando gradientes de cor contínuos se desfazem em faixas visíveis — em vez de transições suaves, você vê bordas abruptas entre os tons de cor. No set ou na edição, isso se torna particularmente irritante em céus, tons de pele e água, onde o olho registra imediatamente qualquer salto incorreto. A causa está na profundidade de cor: material de 8 bits tem apenas 256 níveis por canal. Parece muito, mas não é suficiente quando você faz correções de cor agressivas posteriormente, aumenta o contraste ou aplica vários passos de compressão em sequência.
O lado prático: muitas vezes você só percebe a posterização tarde — na suíte de color grading, quando você quer fazer um gradiente sutil para cima e de repente a imagem inteira se desfaz em faixas. Torna-se especialmente traiçoeiro com o chroma subsampling (4:2:0 em vez de 4:4:4), que já descarta informações de cor. Se a compressão H.264 ou a redução agressiva de ruído forem adicionadas, o problema se multiplica. Material de 10 bits — seja ProRes ou DNxHD — lhe dá muito mais margem de manobra. Com 1024 níveis por canal, você pode fazer color grading de forma muito mais radical sem que a posterização se torne visível. Essa é a verdadeira diferença entre formatos de consumidor e de broadcast.
No set, você mesmo pode minimizar o risco: exponha corretamente para usar as informações de cor de forma ideal — nem subexposto, nem superexposto. Céus claros com cores fracamente saturadas são particularmente suscetíveis; uma textura sutil ou um LUT pode ajudar a quebrar visualmente a posterização. Na edição, recomenda-se trabalhar com profundidades de bits mais altas (10 bits ou até 12 bits para material RAW). Se você estiver trabalhando com material fonte de 8 bits, faça a correção de cor em 32 bits float — o computador calcula internamente com precisão muito maior e posteriza de forma menos visível no final.
Uma dica prática do trabalho diário: a posterização nunca pode ser realmente corrigida, apenas evitada. Por isso, vale o velho princípio — capture corretamente, gradue com cuidado. Se você perceber que seu material tende à posterização, geralmente não é culpa do color grading, mas sim que muita profundidade de cor já foi perdida na gravação ou arquivamento.