Espaço da plateia — define posição de câmera, linhas de visão e distância emocional da ação. Convenção clássica: câmera posicionada na plateia, atores jogam para a lente.
O espaço do público determina fundamentalmente como uma cena é construída. Não o palco, não os atores — o espaço vazio entre eles. Sente-se em um assento no cinema, e você se encontrará exatamente onde a câmera precisará estar mais tarde. Isso não é coincidência, mas uma convenção herdada da época do teatro, que perdura até hoje.
No set, isso significa concretamente: os atores interpretam frontalmente para a câmera, porque estão atuando para a multidão imaginária de espectadores — e a câmera está posicionada no meio. Quando um ator olha para outro, ele não olha diretamente para a lente, mas ligeiramente além, para o "público". Essa lógica espacial é chamada de quarta parede. Ela é invisível, mas estrutura cada plano. O ângulo da câmera é determinado pela posição do assento. Assentos na terceira fila, no centro — é aí que a câmera fica. Assentos no balcão — é aí que seu plano em plongée é filmado.
A proximidade emocional está diretamente ligada à posição no espaço do público. Um close-up corresponde a um assento na primeira fila, intimidade máxima. Um plano geral corresponde à última fila ou ao balcão — a distância cria uma visão geral. Planos médios trabalham com a posição normal de assento. Se você posicionar a câmera muito lateralmente, quebra essa convenção — intencionalmente ou não — e o espectador sente imediatamente que está sentado "fora" da ação.
Na prática, isso se torna relevante ao pensar em sequências de planos e contraplanos. Ambas as posições de câmera devem permanecer "no espaço do público", ou seja, do mesmo lado do eixo imaginário (ver Salto de Eixo). Caso contrário, a orientação espacial salta e o espectador perde a visão geral. Isso não é "errado", mas gera irritação — às vezes desejada, na maioria das vezes indesejada.
Moderno: Muitos diretores rompem conscientemente com essa lógica teatral, posicionando a câmera lateralmente ou atrás dos atores. Isso cria realismo, cinema em vez de teatro. Mas mesmo assim, a orientação do espaço do público ainda funciona em um nível subjacente — porque cada um de nós aprendeu cinema no teatro.